Como assinar receita e atestado com ICP-Brasil, do PDF à conferência
Revise, autorize no certificado, confira o PDF e envie o arquivo original. Quem recebe valida a assinatura no validador do ITI ou pelo QR code.
Para assinar uma receita ou um atestado com certificado ICP-Brasil, você revisa o documento pronto, autoriza a assinatura no token ou no aplicativo do certificado, confere se o PDF saiu assinado e envia ao paciente o próprio arquivo. Quem recebe confere a assinatura no validador oficial do ITI ou pelo QR code do documento, quando ele existe.
Em resumo:
- A assinatura digital vale para aquele arquivo exato. Qualquer mudança depois dela quebra a verificação.
- Revise tudo antes de assinar: corrigir depois significa emitir um documento novo.
- Envie o PDF original, nunca um print, uma foto ou uma cópia escaneada.
- Farmácia, empresa e paciente conferem a assinatura no validador do ITI ou pelo código de verificação do sistema que emitiu.
- A cópia assinada fica guardada no prontuário.
Este guia parte do ponto em que você já tem um certificado ativo. Se ainda não tem, veja quem tem direito ao certificado digital gratuito do CFM e como pedir. Se a dúvida é entre token físico e certificado em nuvem, a comparação está em assinar documentos médicos pelo celular: token ou nuvem.
O que acontece quando você assina um documento?
A ICP-Brasil (Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira) foi instituída pela MP 2.200-2/2001. É a cadeia de certificados que dá à assinatura digital validade jurídica no país. No topo dela está o ITI (Instituto Nacional de Tecnologia da Informação), que credencia as certificadoras.
Seu certificado funciona com um par de chaves. A chave privada fica protegida no token, no cartão ou no servidor do provedor em nuvem e só entra em ação quando você digita o PIN ou confirma pela biometria. A chave pública vai dentro do certificado, e qualquer pessoa pode usá-la para conferir o que você assinou.
Na hora de assinar, o sistema calcula um resumo matemático do arquivo, chamado hash. Pense nele como a impressão digital do conteúdo: se uma vírgula mudar, o hash muda. Esse resumo é cifrado com a sua chave privada e gravado no próprio PDF, junto com os dados do seu certificado. Quem confere refaz o cálculo e compara os dois resultados. Se baterem, o arquivo é o mesmo que você assinou, e a autoria é sua.
Daí saem duas regras práticas. A primeira: a assinatura protege o arquivo, não a aparência dele. Um print ou uma foto da receita não carregam assinatura nenhuma. A segunda: não existe ajuste depois de assinar. Qualquer edição, mesmo pequena, faz a verificação falhar.
Passo a passo: do documento pronto ao paciente
- Revise o conteúdo final. Na receita, confira nome do paciente, data, medicamento, concentração, posologia e quantidade. No atestado, confira o período de afastamento e o diagnóstico: o CFM orienta que o CID só apareça no atestado com autorização do paciente.
- Confira a sua identificação. Seu nome e o número do CRM precisam estar no corpo do documento. A assinatura digital substitui a assinatura de próprio punho, e o carimbo de papel deixa de ter função no arquivo.
- Peça a assinatura no sistema. O sistema gera o PDF final e envia o pedido de assinatura ao seu certificado.
- Autorize você mesmo. Com token, você digita o PIN no computador. Com certificado em nuvem, confirma no aplicativo do celular, com PIN ou biometria. O certificado é pessoal: ninguém da equipe autoriza por você.
- Confira se saiu assinado. Abra o PDF e veja a indicação de assinatura. Na primeira vez com um certificado novo, passe o arquivo no validador do ITI para ter certeza de que o fluxo funciona de ponta a ponta.
- Envie o arquivo original. E-mail, WhatsApp ou link de download: o canal importa menos do que mandar o próprio PDF, sem converter, comprimir ou reimprimir.
- Guarde no prontuário. A cópia assinada faz parte do prontuário eletrônico e segue as mesmas regras de guarda dos demais registros, previstas na Lei 13.787/2018.
Como enviar sem que o documento perca a assinatura?
O ponto fraco raramente é a assinatura. É o caminho que o arquivo faz até chegar a quem vai conferir. Estas ações apagam ou quebram a assinatura sem que o paciente perceba:
- tirar print da tela ou fotografar o documento;
- abrir o PDF num editor e salvar de novo, mesmo sem mudar nada visível;
- juntar a receita com outros arquivos num aplicativo de PDF;
- converter o arquivo em imagem para caber numa mensagem;
- no WhatsApp, enviar como foto em vez de enviar como documento.
Quando o paciente precisa de papel, ele pode imprimir, mas a folha vira uma cópia sem assinatura digital. Ela só pode ser conferida se trouxer um QR code ou um código que leve à versão registrada no sistema que emitiu. Por isso, oriente o paciente a guardar o arquivo recebido e a apresentá-lo, ou reenviá-lo, a quem pedir.
Como a farmácia, a empresa ou o paciente conferem a assinatura?
Existem três caminhos, e eles se complementam.
Validador de assinaturas do ITI
O ITI oferece, no seu portal oficial, um validador gratuito de assinaturas digitais. Quem recebe o documento envia o PDF, e o resultado mostra se a assinatura é ICP-Brasil, quem assinou, quando assinou e se o arquivo foi alterado depois. Em caso de dúvida, é a referência.
QR code ou código de verificação
Muitos sistemas incluem no documento um QR code ou um código que abre a versão registrada no emissor. Serve para quem só tem a cópia impressa e para comparar o conteúdo do papel com o original.
Leitor de PDF
Alguns leitores de PDF mostram um painel de assinaturas. Ajuda numa olhada rápida, mas nem todo leitor reconhece a cadeia ICP-Brasil sem configuração. Um aviso de validade desconhecida no leitor não quer dizer assinatura inválida. Nessa situação, vale o validador oficial.
Para atestados, o CFM mantém também uma plataforma própria de emissão e validação, o Atesta CFM. As regras e os prazos de uso dessa plataforma são definidos pelo conselho, então confira no portal do CFM a situação atual antes de montar o seu fluxo.
O que o resultado da conferência quer dizer?
Quando a conferência falha, o motivo costuma aparecer no próprio resultado. Use a tabela para saber o que responder à farmácia ou ao RH.
| Resultado | O que significa | O que fazer |
|---|---|---|
| Assinatura válida, certificado ICP-Brasil, documento íntegro | O arquivo é o mesmo que você assinou e a autoria está comprovada | Nada. O documento pode ser usado |
| Documento alterado depois da assinatura | Alguém editou, converteu ou salvou o arquivo de novo | Reenviar o PDF original direto do sistema |
| Nenhuma assinatura encontrada | Chegou um print, uma foto, uma impressão escaneada ou um PDF gerado de novo | Pedir ao paciente o arquivo recebido do consultório ou reenviá-lo |
| Assinatura fora da ICP-Brasil ou só a imagem de uma assinatura | Foi usada uma assinatura eletrônica simples ou uma assinatura escaneada colada no documento | Emitir de novo e assinar com o certificado ICP-Brasil |
| Certificado vencido ou revogado na data da assinatura | O certificado não estava válido quando o documento foi assinado | Renovar ou reativar o certificado e emitir um novo documento |
Receita, atestado e pedido de exame: o que muda?
O gesto de assinar é o mesmo nos três. Muda quem confere e em que momento.
- Receita simples: quem confere é a farmácia, na hora da compra. O paciente precisa ter o arquivo à mão.
- Receita de controle especial: tem regras próprias da Anvisa sobre modelo, retenção e aceitação do formato digital. Antes de adotar, veja quando a receita digital tem a mesma validade da receita de papel.
- Atestado: quem confere é o empregador, a escola ou outro órgão. O código de verificação ou a validação online poupam o paciente de voltar ao consultório.
- Pedido de exame: segue para o laboratório ou a clínica de imagem, que confere pelos mesmos caminhos.
Exemplo: assinando na Pronova
Na Pronova, o documento nasce do atendimento. A IA transcreve a consulta e gera o prontuário no formato SOAP, com sugestão de CID-10. Você revisa e ajusta o registro e, a partir dele, emite a receita, o atestado ou o pedido de exames. A assinatura é feita com certificado ICP-Brasil em nuvem, pelo VIDaaS ou pelo Bird ID, inclusive pelo celular.
A prescrição simples e a de controle especial saem com QR de verificação, e o atestado tem validação online. Isso facilita o último passo do fluxo: quem recebe consegue confirmar sozinho que o documento é verdadeiro, sem telefonar para o consultório.
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Perguntas frequentes
Errei um dado depois de assinar a receita. Posso editar o PDF?
Não. Qualquer edição no arquivo assinado faz a verificação falhar. Emita um documento novo com o dado correto, assine de novo, registre no prontuário que ele substitui o anterior e peça ao paciente para descartar a versão errada.
Preciso autorizar cada documento separadamente no aplicativo do certificado?
Cada documento recebe a sua própria assinatura. Se a autorização pode ser feita para vários documentos de uma vez depende do provedor do certificado e do sistema que você usa. Confira essa possibilidade antes de montar a rotina de fim de consulta.
A farmácia consegue conferir a receita se o paciente mostrar só a tela do celular?
A tela serve para ler o QR code, se o documento tiver um. Para usar o validador do ITI, a farmácia precisa do próprio arquivo PDF. Oriente o paciente a ter o arquivo à mão para enviar ao farmacêutico, se ele pedir.
Posso assinar o atestado depois que o paciente já saiu do consultório?
Pode, mas a assinatura registra a data e a hora em que foi feita. O ideal é assinar no fim da consulta: a data do documento e a do atendimento coincidem e o paciente sai com o arquivo em mãos.
Preciso mandar o meu certificado junto com o documento assinado?
Não. Os dados públicos do certificado já vão gravados dentro da assinatura do PDF. É com eles que o validador identifica quem assinou. A sua chave privada e o seu PIN nunca saem do token ou do provedor.
Sobre a Pronova Tech
A Pronova Tech é o prontuário eletrônico com IA que transcreve consultas automaticamente e gera documentação clínica completa em segundos — para médicos e clínicas que querem gastar menos tempo digitando e mais tempo cuidando.
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