Faturamento, TISS e convênios

Como preencher a guia TISS/SADT sem tomar glosas

Guia prático para médicos e clínicas preencherem a guia TISS/SADT corretamente e evitarem glosas dos planos de saúde.

Pronova Blog

Preencher a guia TISS/SADT corretamente é uma das tarefas mais críticas para médicos e clínicas que atendem por convênios: um campo errado ou uma informação ausente pode resultar em glosa — ou seja, o não pagamento do procedimento pela operadora de saúde. O caminho para evitar glosas passa por conhecer cada campo obrigatório, usar os códigos corretos da tabela TUSS e manter consistência entre o prontuário clínico e os documentos de faturamento.

O que é a guia TISS/SADT e por que ela é tão importante

O padrão TISS (Troca de Informações em Saúde Suplementar) foi criado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para padronizar a comunicação eletrônica entre prestadores de serviço e operadoras de planos de saúde em todo o Brasil. Dentro desse padrão, a guia SADT (Serviço Auxiliar de Diagnóstico e Terapia) é o documento utilizado para solicitar autorização e faturar exames, sessões de terapia, procedimentos diagnósticos e outros serviços auxiliares.

Sem o preenchimento adequado dessa guia, a operadora tem respaldo regulatório para recusar o pagamento. Isso gera prejuízo financeiro direto à clínica ou ao consultório e, em casos recorrentes, pode comprometer o fluxo de caixa de forma significativa. Por isso, entender a estrutura do documento é essencial para qualquer gestor de saúde.

Estrutura da guia SADT: campos obrigatórios

A guia SADT é dividida em seções com finalidades distintas. Veja os principais blocos e o que cada um exige:

1. Identificação do beneficiário

  • Número da carteirinha: deve ser transcrito exatamente como consta no cartão do plano, incluindo dígitos verificadores.
  • Nome completo: sem abreviações, conforme cadastro na operadora.
  • Data de nascimento: obrigatória para validação cadastral.
  • Validade da carteirinha: verifique se o plano está ativo na data do atendimento.

2. Identificação do contratado solicitante

  • CNPJ ou CPF do prestador credenciado.
  • Código da operadora (fornecido pela própria ANS).
  • Nome e CRM/CRO/CREFITO do profissional solicitante.

3. Procedimentos e exames solicitados

  • Código TUSS: utilize sempre a Terminologia Unificada da Saúde Suplementar vigente, disponível no portal da ANS. Nunca use códigos internos da clínica.
  • Descrição do procedimento: deve corresponder exatamente ao código TUSS informado.
  • Quantidade solicitada: especifique com precisão — excesso pode gerar glosa técnica.
  • CID-10: deve ser compatível com o procedimento e com a cobertura contratual.

4. Caráter do atendimento

Este campo define se o atendimento é eletivo, de urgência ou de emergência. O erro aqui é frequente e impacta diretamente na análise do auditor da operadora. Em atendimentos de urgência, a guia exige justificativa clínica clara.

5. Assinatura e data

A guia precisa ser assinada pelo beneficiário (ou responsável legal) e pelo profissional executante. A ausência de assinatura é uma das causas mais simples — e mais evitáveis — de glosa administrativa.

Principais causas de glosa na guia SADT

Com base nas práticas de auditoria das operadoras, as glosas se dividem em dois grandes grupos: administrativas e técnicas. Conhecer cada tipo ajuda a criar protocolos preventivos na sua clínica.

Tipo de Glosa Causa Comum Como Evitar
Administrativa Número de carteirinha incorreto ou ilegível Digitalizar o cartão e conferir dígito a dígito
Administrativa Ausência de assinatura do beneficiário Checklist de recepção antes de liberar o paciente
Administrativa Guia sem autorização prévia quando exigida Verificar procedimentos que necessitam de pré-autorização
Técnica CID-10 incompatível com o procedimento Usar prontuário com IA para sugestão automática de CID-10
Técnica Código TUSS desatualizado ou incorreto Manter tabela TUSS atualizada no sistema da clínica
Técnica Quantidade de sessões acima do autorizado Conferir limite contratual antes de faturar
Técnica Procedimento não coberto pelo plano do beneficiário Verificar cobertura conforme RN 465/2021 da ANS

Boas práticas para um preenchimento sem erros

Treine a equipe de recepção e faturamento

Grande parte das glosas administrativas começa na recepção: carteirinha digitada errada, campo de assinatura esquecido, data de atendimento incorreta. Um protocolo simples de conferência em dois momentos — na chegada do paciente e antes de fechar a guia — já reduz substancialmente os erros mais comuns.

Mantenha a tabela TUSS sempre atualizada

A ANS publica atualizações periódicas na Terminologia Unificada da Saúde Suplementar. Utilize sempre a versão vigente disponível em ans.gov.br. Códigos descontinuados são causa frequente de glosa técnica e muitas vezes passam despercebidos quando a equipe trabalha com tabelas salvas localmente.

Garanta consistência entre prontuário e guia

Um dos pontos mais críticos — e muitas vezes negligenciado — é a consistência entre o prontuário clínico e os dados da guia SADT. O CID-10 registrado no prontuário deve ser idêntico ao informado na guia. A hipótese diagnóstica deve justificar o procedimento solicitado. Qualquer divergência pode ser interpretada pelo auditor como inconsistência clínica e resultar em glosa técnica ou, em casos graves, suspeita de fraude.

É aqui que um prontuário com inteligência artificial faz diferença real: ao gerar o registro clínico de forma estruturada, com sugestão de CID-10 baseada na narrativa da consulta, reduz a chance de o médico usar classificações distintas em documentos diferentes. Isso é particularmente relevante em clínicas com alto volume de atendimentos. Para saber mais sobre como a IA pode transformar a rotina clínica, veja outros artigos do blog da Pronova.

Implemente o recurso de glosa como processo formal

Mesmo com todas as precauções, glosas ocasionais são inevitáveis. Por isso, é fundamental que a clínica tenha um processo formal de recurso de glosa, com prazos monitorados e documentação organizada. A RN 566/2022 da ANS estabelece obrigações das operadoras no processo de auditoria e abre canais para contestação pelos prestadores. Conhecer essa regulação é importante para defender seus direitos contratuais.

Verifique a necessidade de autorização prévia

Nem todos os procedimentos da tabela TUSS exigem autorização prévia, mas muitos sim — especialmente cirurgias, internações e procedimentos de alta complexidade. Antes de agendar o procedimento, consulte o manual do prestador da operadora e, quando necessário, solicite a autorização com antecedência suficiente para não comprometer o atendimento ao paciente.

Checklist rápido antes de enviar a guia SADT

  1. Número da carteirinha conferido dígito a dígito.
  2. Validade do plano verificada para a data do atendimento.
  3. Código TUSS correto e atualizado para cada procedimento.
  4. CID-10 compatível com o procedimento e com o registro no prontuário.
  5. Caráter do atendimento preenchido corretamente (eletivo/urgência/emergência).
  6. Autorização prévia obtida, quando necessária.
  7. Assinatura do beneficiário e do profissional executante presentes.
  8. Quantidade de procedimentos dentro do limite autorizado.
  9. Dados do contratado solicitante completos e legíveis.
  10. Documentação de suporte (laudo, relatório) anexada quando exigida.

Digitalização e automação no faturamento de convênios

A digitalização dos processos de faturamento é um caminho sem retorno para clínicas que querem reduzir glosas de forma sistemática. Quando o prontuário eletrônico, a guia SADT e o sistema de gestão da clínica compartilham os mesmos dados estruturados, a margem para erros de transcrição cai drasticamente.

A transcrição de consulta médica com IA é um exemplo concreto de como a tecnologia contribui para esse objetivo: ao gerar o prontuário de forma automática a partir da narrativa da consulta, o médico tem um registro clínico estruturado, com CID-10 sugerido, que pode servir de base confiável para o preenchimento dos documentos de faturamento — incluindo a guia SADT.

Além disso, clínicas que adotam agendamento online integrado conseguem capturar os dados do beneficiário de forma mais precisa desde o primeiro contato, reduzindo erros de cadastro que contaminam toda a cadeia de faturamento. Quando o paciente agenda sozinho pelo link público do médico e confirma seus dados, a recepção recebe informações mais confiáveis para preencher os campos de identificação da guia.

Como a Pronova pode ajudar sua clínica a reduzir glosas

A Pronova é uma plataforma brasileira que oferece prontuário automático com IA: a consulta é transcrita em tempo real e o sistema gera o prontuário SOAP com sugestão de CID-10 de forma automática. Isso garante que o registro clínico seja consistente, estruturado e compatível com os dados que precisam constar na guia SADT — reduzindo diretamente o risco de glosas técnicas por divergência entre prontuário e faturamento.

Além do prontuário com inteligência artificial, a Pronova conta com agenda médica integrada — onde o próprio paciente agenda pelo link público do médico, 24 horas por dia, com dados cadastrais completos — e documentos clínicos com assinatura digital ICP-Brasil via VIDaaS e Bird ID, em conformidade com as normas do ITI. Se você quer estruturar o faturamento da sua clínica com mais segurança e menos retrabalho, teste a Pronova gratuitamente e veja na prática como a tecnologia reduz erros operacionais.

Conclusão

Evitar glosas na guia TISS/SADT é, acima de tudo, uma questão de processo e atenção aos detalhes. Conhecer os campos obrigatórios, usar a tabela TUSS atualizada, garantir a consistência entre prontuário e faturamento e treinar a equipe são medidas que, aplicadas de forma sistemática, transformam o resultado financeiro da clínica. Quando combinadas com tecnologia — como um prontuário com IA que estrutura os dados clínicos de forma confiável — o impacto é ainda maior. Implante esses protocolos agora e recupere receita que hoje está sendo perdida para glosas evitáveis. Para se aprofundar em gestão de clínica e uso de tecnologia na medicina, explore os demais artigos do blog.

Perguntas frequentes

O que é a guia TISS/SADT e para que serve?

A guia SADT (Serviço Auxiliar de Diagnóstico e Terapia) faz parte do padrão TISS (Troca de Informações em Saúde Suplementar) da ANS e é utilizada para solicitar e faturar exames, terapias e procedimentos junto aos planos de saúde. Seu preenchimento correto é obrigatório para garantir o reembolso ao prestador.

Quais são os campos mais críticos da guia TISS/SADT que causam glosa?

Os campos mais sensíveis são: número da carteirinha do beneficiário, código do procedimento na tabela TUSS, CID-10, caráter do atendimento e assinatura/data do paciente. Erros ou ausência de informação em qualquer destes campos são as principais causas de glosa administrativa.

Qual é o prazo para contestar uma glosa do plano de saúde?

O prazo varia conforme o contrato com a operadora, mas a RN 566/2022 da ANS estabelece regras para o processo de auditoria e recursos. Em geral, as operadoras concedem entre 30 e 60 dias para o prestador apresentar recurso de glosa com a documentação comprobatória.

O CID-10 influencia na aprovação da guia SADT?

Sim, o CID-10 é fundamental. Ele precisa ser compatível com o procedimento solicitado e com as coberturas previstas em contrato e na RN 465/2021 da ANS. Um CID-10 incorreto ou incompatível com o procedimento é motivo frequente de glosa técnica.

Existe alguma ferramenta que ajuda a preencher o prontuário com informações consistentes para evitar glosas?

Sim. Plataformas com prontuário com IA, como a Pronova, geram o registro clínico com sugestão automática de CID-10 e dados estruturados da consulta, facilitando a consistência entre o prontuário e os documentos de faturamento como a guia SADT.