Faturamento, TISS e convênios

Guia SADT: campos obrigatórios e o que cada um significa

Entenda quais são os campos obrigatórios da guia SADT, o que cada um significa e como preenchê-los corretamente para evitar glosas.

Pronova Blog

A guia SADT (Solicitação, Autorização e Demonstrativo de Procedimentos e Exames) é o documento central do faturamento ambulatorial junto às operadoras de planos de saúde no Brasil. Preencher corretamente todos os campos obrigatórios é essencial para evitar glosas, garantir o recebimento pelos serviços prestados e manter a conformidade com as regras da ANS e o padrão TISS. Neste artigo, você encontra um guia completo sobre cada campo, seu significado e boas práticas de preenchimento.

O que é a guia SADT e qual é sua base regulatória?

A guia SADT é padronizada pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) por meio do padrão TISS (Troca de Informações em Saúde Suplementar), regulamentado pela RN nº 305/2012 e atualizações subsequentes. Toda operadora de plano privado de saúde é obrigada a aceitar e processar guias no formato TISS, o que confere padronização ao setor e facilita o intercâmbio eletrônico de informações entre prestadores e operadoras.

A guia é utilizada para solicitar autorização prévia de procedimentos, registrar a execução dos serviços e servir como base para o pagamento ao prestador. Seu correto preenchimento é, portanto, uma responsabilidade clínica, administrativa e financeira ao mesmo tempo.

Estrutura geral da guia SADT: seções e grupos de campos

A guia SADT é dividida em seções funcionais. Compreender a lógica de cada seção ajuda a evitar erros e acelera o processo de auditoria interna antes do envio à operadora.

1. Identificação da guia e da operadora

  • Registro ANS: número de registro da operadora junto à ANS. Identifica para qual operadora a guia está sendo enviada.
  • Número da guia do prestador: sequencial interno gerado pelo prestador para controle próprio.
  • Número da guia atribuído pela operadora: código gerado pela operadora após a autorização. Essencial para rastrear o processo.
  • Número da guia principal: quando a SADT é vinculada a outra guia (por exemplo, uma internação), este campo relaciona os documentos.

2. Dados do beneficiário (paciente)

  • Número da carteira: código do beneficiário no plano. Deve ser copiado exatamente como aparece na carteirinha, incluindo dígito verificador.
  • Atendimento de RN (recém-nascido): campo marcado quando o atendimento é para bebê ainda sem carteirinha própria, vinculado ao plano da mãe.
  • Nome do beneficiário: nome completo do paciente, conforme cadastro na operadora.
  • Número do cartão nacional de saúde (CNS): quando exigido pela operadora.

3. Dados do solicitante

  • Nome do contratado solicitante: clínica, hospital ou médico que está solicitando o procedimento.
  • Código na operadora / CNES: código de cadastro do prestador na operadora e o número CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde), obrigatório pelo Ministério da Saúde.
  • Nome do profissional solicitante: médico que está requisitando o exame ou procedimento.
  • Conselho profissional / número no conselho / UF / CBO: identificam o profissional solicitante (CRM, CRN, etc.) e a Classificação Brasileira de Ocupações correspondente.

4. Dados do procedimento solicitado

Esta é a seção mais técnica e a que mais gera glosas quando preenchida incorretamente.

  • Código do procedimento (TUSS/CBHPM): código padronizado do procedimento, exame ou terapia, conforme a tabela TUSS (Terminologia Unificada da Saúde Suplementar) ou CBHPM. Jamais utilize descrições livres sem o código correspondente.
  • Descrição do procedimento: nome completo do procedimento conforme a tabela.
  • Quantidade solicitada: número de sessões, unidades ou repetições solicitadas.
  • CID-10: Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão. Justifica clinicamente a solicitação. Deve ser o CID principal e, quando necessário, o secundário.
  • Indicação clínica: campo de texto livre para detalhar a justificativa médica, especialmente em procedimentos de alta complexidade ou que exijam auditoria prévia.
  • Caráter do atendimento: eletivo, urgência ou acidente, conforme a situação clínica.

5. Dados do atendimento (execução)

  • Tipo de atendimento: ambulatorial, home care, clínica, SADT, entre outros.
  • Indicador de acidente: define se o atendimento decorre de acidente de trabalho, trânsito ou outros.
  • Tipo de saída: alta, transferência, óbito etc. (quando aplicável).

6. Dados do contratado executante

  • Nome do contratado executante: prestador que realizará ou realizou o procedimento (pode ser diferente do solicitante).
  • Código CNES do executante: obrigatório e deve coincidir com o cadastro ativo na operadora.
  • Nome do profissional executante e conselho: quem efetivamente realizou o procedimento, com CRM/CRN e CBO.

7. Identificação do documento e assinaturas

  • Data do atendimento: data em que o procedimento foi realizado.
  • Assinatura do beneficiário ou responsável: confirma a presença e a ciência do paciente sobre o atendimento. Campo obrigatório e frequentemente glosado quando ausente.
  • Assinatura do profissional executante: valida a execução do serviço.

Tabela-resumo: campos obrigatórios, localização e impacto em caso de erro

Campo Seção Obrigatório? Principal consequência do erro
Registro ANS Identificação Sim Guia não identificada pela operadora
Número da carteira do beneficiário Beneficiário Sim Glosa por beneficiário não localizado
Código TUSS/CBHPM Procedimento Sim Glosa por procedimento não reconhecido
CID-10 Procedimento Sim (na maioria) Recusa por falta de justificativa clínica
CNES do executante Executante Sim Glosa por prestador não credenciado
Data do atendimento Atendimento Sim Inconsistência com autorização prévia
Assinatura do beneficiário Assinaturas Sim Glosa por falta de comprovação da presença
Assinatura do profissional Assinaturas Sim Glosa por ausência de responsável técnico
Número de autorização Identificação Quando exigido Recusa por procedimento não autorizado
Quantidade solicitada/executada Procedimento Sim Pagamento incorreto ou glosa parcial

Diferença entre guia SADT de solicitação e de execução

É comum a confusão entre a guia usada para solicitar autorização e aquela usada para registrar a execução do procedimento. Na prática, muitas operadoras utilizam o mesmo formulário para ambas as funções, mas os campos preenchidos diferem:

  • Na solicitação, os campos de execução (data do atendimento, assinatura do beneficiário após realização) ficam em branco.
  • Na execução, todos os campos devem estar completos, incluindo o número de autorização concedido pela operadora.

Operadoras que trabalham com autorização prévia exigem que o número gerado por elas conste na guia de execução, vinculando os dois momentos do processo.

Como o CID-10 influencia a autorização dos procedimentos

O CID-10 não é apenas um campo burocrático: ele é a justificativa clínica da solicitação. Operadoras utilizam o CID informado para validar se o procedimento solicitado é compatível com o diagnóstico. Por isso:

  • Utilize o CID mais específico disponível, evitando códigos genéricos quando há diagnóstico definido.
  • Em casos de suspeita diagnóstica, utilize os códigos “Z” (fatores que influenciam o estado de saúde) ou as categorias de sintomas quando ainda não há diagnóstico confirmado.
  • Quando houver mais de uma condição relevante, informe o CID principal e o secundário nos campos correspondentes.

A consistência entre o CID informado no prontuário e o CID na guia SADT também é avaliada em auditorias. Médicos que utilizam um prontuário com IA com sugestão automática de CID-10 reduzem significativamente o risco de inconsistências entre os documentos clínicos e administrativos. Saiba mais sobre como a tecnologia pode apoiar essa integração em nosso blog de saúde digital.

Boas práticas para evitar glosas na guia SADT

Antes do atendimento

  • Confirme o número da carteira do beneficiário diretamente com a operadora ou pelo portal do plano.
  • Verifique se o procedimento exige autorização prévia e, em caso positivo, solicite antes de realizá-lo.
  • Certifique-se de que o CNES do estabelecimento está ativo e credenciado para aquela operadora.

Durante o preenchimento

  • Utilize sempre os códigos TUSS atualizados, disponíveis no portal da ANS.
  • Relacione o CID-10 ao contexto clínico real do paciente, garantindo coerência com o prontuário.
  • Colha a assinatura do beneficiário ao final do atendimento, antes de ele sair da clínica.

Após o atendimento

  • Realize uma conferência (pré-auditoria interna) antes de enviar o lote à operadora.
  • Guarde cópias das guias assinadas pelo prazo mínimo exigido pela operadora e pelo Código Civil (em geral, 5 anos).
  • Responda tempestivamente às notificações de glosa, apresentando a documentação de suporte.

Guia SADT eletrônica e assinatura digital

Com a digitalização do setor de saúde, a guia SADT em formato eletrônico ganhou força. O padrão TISS da ANS já prevê o envio eletrônico de guias, e a assinatura digital com certificado ICP-Brasil confere validade jurídica ao documento, conforme a Medida Provisória nº 2.200-2/2001, que instituiu a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira.

Para clínicas que desejam modernizar seus processos, adotar documentos clínicos com assinatura digital elimina a necessidade de papel, reduz o risco de perda de documentos e agiliza o envio de lotes às operadoras.

A integração entre prontuário eletrônico e guia SADT

Um dos maiores gargalos da gestão clínica é a duplicação de trabalho: o médico documenta o atendimento no prontuário e, depois, preenche manualmente os mesmos dados na guia SADT. Esse processo aumenta o risco de inconsistências e consome tempo clínico valioso.

Soluções que utilizam prontuário automático e integração com ferramentas de faturamento permitem que informações como CID-10, código do procedimento e dados do paciente sejam transferidas automaticamente para a guia, reduzindo erros e otimizando o fluxo de trabalho. A adoção de um prontuário com inteligência artificial que transcreve a consulta em tempo real e gera o registro clínico estruturado é o primeiro passo para essa integração. Conheça como isso funciona na prática e experimente a Pronova gratuitamente.

Conclusão: preencher corretamente a guia SADT é uma competência clínica e de gestão

A guia SADT é muito mais do que um formulário administrativo: ela é o elo entre o atendimento prestado e o recebimento do médico ou da clínica. Campos incompletos, CIDs inconsistentes ou ausência de assinaturas podem resultar em glosas que comprometem o fluxo de caixa e geram retrabalho para toda a equipe.

Dominar o significado de cada campo, manter processos de conferência interna e adotar tecnologia que integre prontuário e faturamento são os pilares de uma gestão clínica eficiente. A Pronova oferece um prontuário eletrônico com IA que transcreve a consulta em tempo real, gera o prontuário SOAP automaticamente com sugestão de CID-10 e disponibiliza assinatura digital ICP-Brasil para documentos clínicos — reduzindo a distância entre o cuidado ao paciente e a correta documentação para faturamento. Explore também outros temas de gestão e tecnologia em saúde em nosso blog especializado para médicos e clínicas.

Perguntas frequentes

O que é a guia SADT e para que serve?

A guia SADT (Solicitação, Autorização e Demonstrativo de Procedimentos e Exames) é o documento utilizado por prestadores de saúde para solicitar autorização e registrar a execução de procedimentos, exames e terapias junto às operadoras de planos de saúde. Ela é o principal instrumento de faturamento para serviços ambulatoriais.

Quais campos da guia SADT geram mais glosas por preenchimento incorreto?

Os campos mais críticos são o número de autorização, o código TUSS/CBHPM do procedimento, o CID-10, o número do cartão do beneficiário e a assinatura do paciente. Erros ou ausências nesses campos costumam ser as principais causas de glosa pelas operadoras.

A guia SADT eletrônica tem validade jurídica?

Sim. A guia SADT eletrônica tem plena validade jurídica quando assinada digitalmente com certificado ICP-Brasil, em conformidade com a Medida Provisória 2.200-2/2001. A ANS regulamenta o envio eletrônico por meio do padrão TISS, que é obrigatório para operadoras de planos privados.

Qual a diferença entre guia SADT e guia de consulta?

A guia de consulta é utilizada exclusivamente para registrar consultas médicas. Já a guia SADT cobre procedimentos ambulatoriais, exames complementares, terapias e outros serviços que não se enquadram como consulta simples. Cada tipo de atendimento exige o formulário correto para evitar recusa pela operadora.

O médico precisa preencher todos os campos da guia SADT manualmente?

Não necessariamente. Ferramentas com prontuário automático e integração com sistemas de faturamento podem preencher automaticamente dados como CID-10, código do procedimento e informações do paciente, reduzindo erros e o tempo gasto pelo médico com burocracia.